NICOLE PILLATI: SE O MUNDO VAI SER MAIS RÁPIDO, QUE ELE SEJA TAMBÉM MAIS HUMANO

GOTAS DE LUZ SANTA CATARINA

A tecnologia acelera tudo, mas a vida não cabe inteira numa resposta objetiva

Por Nicole Fernanda Pillati Pereira,
futura escritora

Dizem por aí que as máquinas escrevem, desenham, respondem em segundos. Treinadas com o mundo inteiro, elas repetem padrões com uma precisão que assusta. Aprendem rápido, sem dormir, sem errar por cansaço. E, por um instante, a gente se pergunta: onde é que eu fico nessa história toda?

Choro
Riso – Elas ainda não sabem do café frio esquecido na mesa enquanto você corre para cuidar de alguém. Não conhecem o silêncio pesado depois de uma notícia ruim, nem o impulso de mandar áudio de 2 minutos só pra dizer “pensei em você”. Não entendem por que a gente guarda ingresso velho na carteira, ou por que ri no meio do choro sem saber explicar.

Coragem
Garantia – A tecnologia acelera tudo. Otimiza, resume, resolve. Mas a vida não cabe inteira numa resposta objetiva. Ela tropeça. Ela muda de ideia. Ela insiste no que não faz sentido. 

Talvez seja isso que me segura: esse erro bonito de ser gente. A hesitação antes da palavra certa. A memória que falha, mas volta com cheiro. A coragem de recomeçar mesmo sem garantia. 

Esperança
Quintal – E é aí que mora a esperança. Porque a máquina pode aprender a falar, mas só a gente aprende a escutar com o peito. Só a gente inventa futuro com as mãos calejadas, planta ideia no quintal, transforma medo em canção. 

Se o mundo vai ser mais rápido, que ele seja também mais humano. Que a gente use toda essa inteligência nova não para competir com quem somos, mas para ter mais tempo para o que importa: abraço demorado, mesa cheia, olhar que demora. 

Lembrança
Saudade – No fim, inteligência sem corpo não tem saudade. E nós temos. Muita. E é ela que vai nos lembrar, sempre, para onde voltar. E enquanto houver um coração batendo fora do ritmo, ainda vai existir futuro para a gente escrever juntos.

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