Confiar em Deus é viver com essa certeza quieta
Por Nicole Fernanda Pillati Pereira,
futura escritora

Confiar em Deus é entregar a caneta quando eu já não sei o próximo capítulo. É lembrar que mesmo nas páginas em branco, onde só vejo silêncio, Ele está escolhendo as palavras certas. Eu me apresso, quero acelerar o enredo, mas o Autor não tem pressa. Ele borda com linhas que eu não entendo hoje e que amanhã viram sentido. Descansar é acreditar que a história não depende do meu cansaço, e sim do cuidado dAquele que nunca erra um traço.
Borrão
Escolhas – Às vezes eu releio os capítulos antigos e só vejo borrão. As escolhas erradas, as portas que bati, os “e se” que me machucaram. Mas quando olho de novo com os olhos dEle, vejo rascunho virando aprendizado. O Autor não joga fora nenhuma página. Ele usa até o que eu queria rasgar para ensinar misericórdia, para me fazer mais inteira.
Confiar também é esperar sem ansiedade. É plantar no escuro e acreditar que tem raiz crescendo. O Autor da minha história trabalha nos bastidores: arruma encontros, fecha ciclos, abre caminhos que eu nem sabia pedir. Enquanto eu durmo, Ele escreve. Enquanto eu choro, Ele consola. E quando eu acordo sem força, encontro no peito um fôlego que não veio de mim.
História
Colo – Tem dias em que eu quero tomar a história de volta. Quero editar, adiantar, mudar o final. Mas a paz só chega quando eu solto. Soltar é dizer: “Pai, escreve Tu”. É lembrar que eu sou personagem amada, não autora sobrecarregada. E personagem amada pode descansar no colo de quem conduz tudo.
No fim, confiar em Deus é viver com essa certeza quieta: a última palavra não será o medo, nem a falta, nem a dúvida. A última palavra será dEle. E se Ele é o Autor, então cada vírgula tem propósito, cada pausa tem tempo, e cada recomeço tem nome. Eu posso caminhar leve, porque a história está em boas mãos, nas mãos que me formaram.
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