Privilégio é pouco. É milagre cotidiano
Por Nicole Fernanda Pillati Pereira,
futura escritora

Ter pai e mãe vivos é andar pelo mundo com duas âncoras.
É saber que existe, em algum lugar, um colo que lembra a forma exata da tua infância.
É tropeçar na vida adulta e ainda poder discar um número que atende com “filho” antes mesmo do “alô”.
É ter duas bibliotecas vivas: uma de conselhos repetidos que só agora fazem sentido, outra de histórias que só eles sabem contar sobre você.
É brigar com o tempo, porque o tempo briga com eles, e mesmo assim ganhar. Ganhar mais um domingo, mais um café sem pressa, mais um “se cuida” que é oração disfarçada.
Riso
Bronca – Privilégio é pouco. É milagre cotidiano.
É ver o riso do seu pai e reconhecer o seu. É escutar a bronca da sua mãe e entender que amor, às vezes, fala firme.
É perceber que envelhecem, sim, mas só para te ensinar que o amor também cria rugas e insiste em ficar bonito.
Quem tem os dois, tem plateia e bastidor. Tem aplauso e puxão de orelha. Tem o começo da sua história sentado à mesa, perguntando se você já comeu.
Somos nós
Apelido de criança – E um dia a gente entende: não são eles que precisam da gente por perto. Somos nós. Sempre fomos.
Então liga hoje. Aparece sem avisar. Repete o “eu te amo” que eles já sabem, só para ver se o deles ainda sai mais bonito que o seu.
Porque ter pai e mãe vivos é ter o passado e o presente na mesma sala, te chamando pelo apelido de criança. E isso é um tipo raro de eternidade emprestada.
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