FILME “FIÉIS” E O AMOR LÍQUIDO BAUMANIANO

FILOSOFIA DO SUL SÃO BENTO DO SUL

MOSTRA A INFIDELIDADE DE DIVERSAS FORMAS, NÃO APENAS QUANTO AO ÓBVIO

Por Mariano Soltys, advogado e professor

O filme “Fiéis” é um romance policial envolto em muito mistério e mentira. A mentira é tanta que nenhum personagem se mostra essencialmente verdadeiro. Essa máscara ou persona de Jung, esses egos aparecendo ocultos em relações e segredos, que se revelam no filme. A tradução mais correta do título do filme é “Fielmente Seu”, e de certo modo mostrou a troca que existe nas relações pós-modernas, desse amor líquido, ao estilo do que falava o sociólogo Zygmunt Bauman.

A trama se desenrola quando uma juíza, Bo, e sua amiga, Lisa, decidem um passeio para a Bélgica, na casa de Lisa, indo a supostos museus e apresentações de palestras. O filme já mostra um julgamento de começo e uma mulher instalando uma câmara escondida. Mas já os encontros ocultos se revelam, quando a juíza busca encontros escondidos em casas noturnas de temática adulta, bem como a amiga também em encontros diversos com amantes desconhecidos.

GARROTE – o problema do roteiro de início parece ser sobre a juíza desconhecer a lei penal, quando a amiga é encontrada morta ou é vista assassinada pela câmera escondida, esganada por um garrote. A investigação pela morte de Lisa coloca a própria amiga e juíza como suspeita, revelando seu marido ser também alguém que guarda indicação de autoria do crime. Lá pelo final do filme, também o roteiro mostra uma grande mentira, pois se descobre que o verdadeiro alvo do assassinato não era Lisa, mas sim a juíza Bo, que parecia desconhecer a lei.

O legal do filme é que todos são suspeitos e, em certo sentido, mentirosos. A mentira maior talvez seja a do marido da juíza, que parecia saber de tudo o que ocorria, nos casos desta com vários homens, ainda fantasiando em relação a isso, o que foi revelado quando este tentou agir conforme um dos affairs da juíza. O desconhecimento da lei parecia também ser o desconhecimento da moral.

O amor líquido parece ser uma marca dos tempos atuais, na pós-modernidade, e mesmo isso revela que as pessoas se ligam como se fossem avatares, desconhecidos virtuais, verdadeiras inteligências artificiais, longe de uma relação de entrega legítima. O filme “Fiéis” mostra a infidelidade de diversas formas, não apenas quanto ao óbvio.

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