Nas questões filosóficas também há diferentes formas de jogar
Por Mariano Soltys, filósofo e professor

Muito do que conhecemos de filosofia veio da Europa. Kant, Hegel, Nietzsche, Shopenhauer, Locke, Voltaire, Marx e tantos outros. O futebol também surgiu na Inglaterra. Mas é no Brasil que ganha um gingado e samba diferente, e tempos depois, agrega o estilo europeu de marcação.
O Corinthians é um desses times que soma o europeu e o brasileiro, além de ter sempre jogadores latinos, com o espanhol que ensina a jogar de um jeito também especial.
Nos últimos jogos o Timão mostrou uma forte marcação, quase não deixando jogar o Vasco em primeiro tempo, além de ter bom desempenho frente ao histórico rival, o Palmeiras. O Timão marca muito bem e teve bom desempenho no contra-ataque, o que resultou em alguns gols.
Jogo marcado
Pênalti – Contra o Vasco, o time fechou a parte central, sendo que o time carioca não conseguiu adentrar no ataque, sendo favorecido por um pênalti, bem como por certa distração do time paulista. Talvez pareça meio maçante um jogo marcado, mas não se pode jogar sem ter um grupo muito alinhado.
Já foi o tempo de um jogo individual, que unicamente depende de um craque ou goleador. Isso já era criticado pela Alemanha, quando de comentar sobre a Seleção Brasileira, lá em 2014.
Claro que o time da Fiel também teve sua experiência negativa, quando no passado levava um gol de Romário, que era o craque que decidia, ou outro adversário que achava algum ponto fraco no esquema do time da Gaviões.
Apolínea
Dionisíaca – Na filosofia também se percebe diferentes formas de jogar, seja com empirismo, racionalismo, existencialismo, idealismo, estruturalismo, positivismo, dentre tantas outras formas. Marx veria num jogo de futebol a dialética entre classes, a luta de times. Já um John Locke veria a experiência dos sentidos auxiliando na técnica.
Nietzsche veria as duas forças, a apolínea e a dionisíaca, a colaborar com o resultado, ou procuraria jogadores com um espírito livre, de super-homem. Kant acharia que o jogo deveria ser honesto, numa moral em que a finalidade seria o que deve ser, sem se preocupar com o resultado, mas como jogar bem em si. Platão procuraria um time perfeito, lá em sua caverna do mito, num mundo das ideias, com jogadores sem falhas.
Jogo divertido
Dribles – Por fim, o Corinthians joga como bons times brasileiros, semelhante a São Paulo, Flamengo, Palmeiras, Botafogo e outros. Fato é que o estilo europeu deixa o time mais engessado, marcador, esquematizado, coletivo.
Já os times brasileiros, no estilo, têm mais o jogo divertido, com dribles, individual, do gênio, e assim se diferencia, mas pode ter menos marcação e ficar muito aberto. A filosofia pode dar respostas a se construir um time melhor, seja qual for.
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