Ela trata de assuntos diversos, alguns simples, outros polêmicos
Por Mariano Soltys,
filósofo e professor

Esses tempos tive um certo retorno para a minha origem de pensamento filosófico. Isso ocorreu porque retornei à minha primeira obra, “Reflexões Gerais”, um livro que resultou de diário no qual eu escrevia reflexões. Também me vieram à memória as audições de músicas de Raul Seixas, bem como algumas ideias que tive pela juventude.
Além disso, sonhei que estava voltando a trabalhar no meu primeiro emprego, que foi na Condor, na no setor de pincéis. No retorno eu desejava trabalhar na mesma máquina onde já tinha experiência, e assim fazia a entrevista e entrava na fábrica.
Carreira
Essência – “Reflexões Gerais” é a minha obra mais marcante. Ela trata de assuntos diversos, alguns simples, outros polêmicos – e, quando lancei o livro, já estava no início da carreira na advocacia. Todo esse sentimento se somou nesses tempos de agora, e o retorno a esse espírito me fez pensar em até quando negamos nossa essência. Muitas das escolhas da vida são acertadas, mesmo que depois tenhamos mais vivência para descartá-las. A ousadia é que faz o gênio.
Lembro de certa vez levar esse diário, escrito numa agenda, até Mafra, quando ia de ônibus a uma audiência. Nessa leitura, eu sentia que o universo estava se des-vendando para mim. Na época eu fantasiava certos aspectos dos mistérios, e não havia vivenciado esse universo permeado de mística. O racionalismo é mesmo a marca da filosofia.
Nova moral
Efeitos – Em “Reflexões Gerais” eu tratava de uma nova moral. Isso em muito era algo semelhante ao que Bauman fala em sua sociologia. Mas eu não me focava nos efeitos da sociedade e suas mudanças, mas em mais o que causava essas mudanças. Para mim, havia uma nova energia, uma nova natureza que permeia as pessoas, uma essência.
As mudanças na família, nos relacionamentos, no trabalho, na conquista feminina e tudo mais, eram temas de “Reflexões Gerais”. Novos valores estavam já despontando, e eu escrevia isso nos anos 2000, há mais de 20 anos atrás.
Panlogia
Potência – Em muito esse livro antecipava o meu pensamento posterior, que foi a Panlogia. No caso, cada pessoa tem a sua natureza, e descobre a sua verdade, ela está no caminho certo. Descobrir isso em nível máximo a leva ao gênio. Esse espírito que leva ao destaque, a fama, a se fazer o melhor o que se faz.
E todas as pessoas fazem parte do Todo, e estão nesse aspecto, sendo necessárias e indispensáveis. É uma vontade de viver de Schopenhauer, uma vontade de potência de Nietzsche, e assim vai.
Retorno
Apatia – Reúne todo o pensamento humano. Lá em “Reflexões Gerais” eu já jogava uma semente para isso. O retorno é uma iniciação que se faz de modo inesperado. Há certa apatia nesse momento, e vivemos um conflito existencial em nosso País.
A divisão não leva a muita coisa boa, e cada vez mais seguimos nosso caminho, apesar da crise. Também na obra Cadernos Emergentes esse retorno a Reflexões Gerais deve transparecer, revelando meu centro espiritual.
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