O tema das crenças e da dúvida vem rendendo muito
Por Mariano Soltys,
filósofo e professor

Nesses tempos ando acompanhando temas como vídeos de ateus, o que mostra um crescimento dessa parcela da população, que, se não me engano, foi de três vezes. Mesmo assim é pequena a parcela da população que se declara ateia. Contudo, cursos como o de Ciências da Religião, e mesmo o de Teologia, acabam se dedicando a estudar o fenômeno ateu.
Dentre pesquisadores ou famosos, se pode citar Bart D. Ehrman, que se declara agnóstico, sendo ex-evangélico, e por aqui se observa alguns filósofos, mesmo que estudem a Bíblia, como o caso de Karnal, entre outros.
Na plataforma de vídeos outros que podem ser citados, nesse sentido, são Daniel Gontijo, bem como Osvaldo, que mostram ex-religiosos ou uma nova tradução da Bíblia. O mais importante é a liberdade de culto, consciência, garantido pela Constituição.
Questionamento
Teoria mítica – Fato é que mesmo esse Ehrman ainda acredita na existência de Jesus histórico. Assim um autor muito admirado pelos ateus, acaba que leva a certo questionamento a teoria mítica. O mais curioso é que se faz certa renda com a Bíblia, mesmo não se acreditando nela.
Há uma infinidade de cursos na internet. O tema das crenças e da dúvida vem rendendo muito. Filósofos já fizeram muito disso no passado também, como Spinoza, Voltaire, Nietzsche e outros.
Iluminismo
Ciência – Questionava-se a crença, as igrejas, o cristianismo e tudo mais. Isso não é novo; desde o Iluminismo se faz isso. Era algo muito mais intenso, pois a ciência se desenvolvia, e já hoje a crença tem outro sentido.
Antes se via o poder, o governo e mesmo qualquer conhecimento atrelado à Igreja. Mas existem muitos cientistas da Igreja, mesmo a teoria do Big Bang é de um padre. Os filósofos na maioria vieram de dentro da Igreja.
Essa história de ex-cristão, ex-judeu, ex-flamenguista, etc, acaba que reflete muito pouco de um fenômeno que é, além de humano, espiritual. O ateísmo virou uma moda. Acaba colocando toda a espiritualidade de lado, em face de se acreditar apenas no próprio nariz.
Antropologia
Milênios – Mas se esquece da antropologia, da sociologia da religião, de um processo histórico de milênios, que reflete a crença em algo que é intangível, inexplicável, além de nossa pessoa: Deus. Frente a um mundo cada vez mais egoísta e tecnológico, a voz da espiritualidade cada vez mais chega a ser emudecida.
Claro que a preocupação da ciência, social e outras é essencial. Porém, não se pode deixar de lado a herança de tradição que se carrega por gerações, e mesmo a algo existencial que o humano acessa, talvez de forma ainda não explicada, para a sua espiritualidade. A parapsicologia bate na trave em explicar muitos dos fenômenos paranormais, e que são tidos por milagres.
Liberdade
Sabedoria – Fato é que se deve respeitar os cristãos, os crentes, os católicos e demais, uma vez que eles também têm seu direito de liberdade de crença e opinião, garantido pela Constituição. Também a Bíblia é um livro de sabedoria, o livro mais lido, então muito relevante, e que ateus usam para desmerecer crenças, mas por um foco diverso.
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