MARIANO SOLTYS: O LEVIATÃ IRANIANO DO FILÓSOFO JORJANI

FILOSOFIA DO SUL SÃO BENTO DO SUL

O Irã não é um país criado em 1979, mas um Estado civilizacional

Por Mariano Soltys, filósofo e professor

A reflexão do momento ao ataque ao Irã veio em vídeo de filósofo iraniano-americano, Jason Reza Jorjani, que trata do tema do Irã, de situações de Leviatã, que vem do filósofo Thomas Hobbes, mas com outro foco aqui nesse pensador, e ainda em Zoroastro, tema que nos faz lembrar de filósofo Friedrich Nietzsche.

O estado moderno antes era mais nacional, menos tecnológico. Hoje é um poder tecnocrático, que além de estar em uma nova ordem mundial, está muitas vezes presente em corporações transnacionais, bem como em um financiamento que está para ambos os lados, no exemplo de uma guerra. Irã não parece diferente. O monstro bíblico Leviatã parece em muito com essa tecnocracia, que ultrapassa a lógica de país, ou meramente militar.

Modo moderno
1979 –
O Irã não é um país criado em 1979, mas um Estado civilizacional. Lembra-se que antes as mulheres se vestiam normalmente, ao modo moderno. É essa modernidade que é desafiada pelo tradicional, pelo espiritual. Mas o Irã é uma civilização com mais de 3000 anos, não começando em 1979, nem com o islã, apesar de ter se adaptado ao islã.

O islã não causou a decadência do Irã, ademais. Antes havia o zoroastrismo, a religião de Zarathustra ou Zoroastro. O que é essa religião? É a primeira dualista que existiu, e que muito influenciou no cristianismo.

Existe um deus bom, Ahura-Mazda, e existe um inimigo, o Ahriman, espécie de Satã. Essa é uma religião iraniana, que até hoje se vê festivais pelas ruas. Seu livro sagrado é o “Zend Avesta”. Mas o que mais influi talvez seja o islã, e o sagrado Alcorão.

Fanatismo
Fundamentalismo –
Voltando ao Irã, ele não é um simples país, mas uma civilização persa, e permaneceu persa em domínio de Alexandre, permaneceu no império aquemênida, permaneceu no império sassânida, sobreviveu assim a conquista grega, dos árabes, dos turcos. Ainda os otomanos.

Não será o império americano que vai acabar com o Irã, ou menos ainda com os persas. O leão é o símbolo do Irã. Era um povo muito cultural, e muitos sábios saíram de lá com o domínio de xiitas. O fanatismo chega ao mundo com muita força, se dizendo conservador, com o fundamentalismo.

E há quem diga que os EUA nada mais fazem que obedecer Israel. Em 1956 o primeiro ministro foi deposto pela CIA e MI6, pois em 1951 o petróleo estava nacionalizado. E depois vai com o Reza Shah até 1979, com a modernidade, sendo mudado para os aiatolás. Os Estados Unidos apoiaram a energia nuclear por lá, e agora vem a proibir, quando suposto uso para produção de armas nucleares.

Petróleo
Cultura –
De qualquer modo, a guerra não traz vantagem a ninguém, sendo que mais parece uma busca por petróleo, como o foi no domínio da Venezuela. O Leviatã é a tecnocracia, uma nova forma de Estado. O domínio do Irã pode ser militar, mas não mudará a cultura e civilização árabe, que vai permanecer, assim como já permaneceu.

A história deixou sua lição. Há uma rivalidade entre Leviatã turco e Leviatã iraniano. Irã significa terra dos ários. Então é um povo especial, sendo que talvez volte ao mitraísmo e ao zoroastrismo. O Irã é como uma Índia ou China, é civilizacional. Invencível.

WhatsApp – O grupo de WhatsApp do Jornal Edição Digital pode ser acessado aqui