Com muitas questões éticas, a série mexicana é impressionante
Por Mariano Soltys, filósofo e professor

A série mexicana “Futuro Deserto” é impressionante. Muitas questões éticas aparecem no seriado, e assim fazem o espectador refletir. Desde a questão de como a liberdade é valiosa para seres inteligentes, assim como a reflexão de como podemos explorar e mesmo abusar de máquinas inteligentes, que num futuro próximo farão parte de nossa vida.
O caso inicial se dá com um casal que, ao perder a filha em acidente de carro, recebe a oportunidade de ter a mesma filha novamente presente, mesmo que na forma de um robô. Isso já foi abordado por outros filmes, como pela obra de Spielberg, AI – Inteligência Artificial, mas aqui o foco na emoção foi muito forte, ainda mais na figura da madrasta Maria, que cada vez mais, tem suas crises e lembranças adicionadas pela falecida esposa de Alex, que viúvo, tem na voz e no cuidado dos filhos, em Maria, a esposa revivida.
Robôs
Visita da polícia – O caso se complica com outros robôs, que acabam tendo atos que desafiam a programação, ou ao esperado, e assim levam a empresa de Alex a muitos processos e visita da polícia, o que faz ele pedir a conta e se afastar, uma vez que lembra a honestidade de sua esposa falecida. O mais impressionante é no menino que vê em Maria a sua mãe, e na fuga desta, sofre muito pela falta do robô e amor que a reserva.
O caso da inteligência artificial se resume em muito em algo comportamental, e de gestalt, e não em uma inteligência que se possa comparar à humana. Apesar de “Futuro Deserto” abordar esse sentimentalismo e autonomia dos robôs, e de sua quase revolução, e fuga, em verdade o tema está longe de chegar a tanto.
Desemprego
“Exterminador do Futuro” – Já o game Detroid: becose human abordou algo parecido: as máquinas fazem uma revolução, e o conflito sempre se dá pelo desemprego, dentre outros fatores. O caso que no game a coisa vai mais além, enquanto na série ficamos na expectativa de ver o que aconteceria depois.
Mesmo assim a série mexicana leva a uma boa produção, nem tanto por efeitos especiais, como na série de “Exterminador do Futuro”, mas pela temática de emoções e imitação, mesmo a humanização de maquinas, ou na possibilidade de ter alma, como entendem os japoneses, ou de ter fé, como mostrada na série, o que muda muita coisa.
Já nos anos 70, Isaac Azimov antecipava muito disso, e pode se levar que a IA seja cada vez mais presente e necessária em nossas vidas. A série faz pensar nisso de forma cada vez mais real.
Foto Netflix/Reprodução
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