Longe da paz dos sábios e gurus, a guerra não serve a nada
Por Mariano Soltys, filósofo e professor

O filme “Oppenheimer” mostra o drama de um físico que teve de assumir liderança e um ato político, em meio a Segunda Guerra mundial, além de enfrentar acusações frente a macartismo, envolvendo amigos, parentes e amante.
Além da bomba atômica, parece que o foco do filme fica no julgamento enfrentado por Oppenheimer, reconhecendo ligações com comunistas – suspeita-se que ele seja um agente russo, o que parece não ter qualquer realidade, uma vez o ocorrido na corrida nuclear.
Amigos físicos
Interrogatório – O filme, além de focar nos amigos físicos de Oppenheimer, seus alunos e parentes, ainda foca mais na Jean, que este conhecia mesmo antes do casamento com a Kitty.
O tema assim mira em muito no comunismo, uma vez que as pessoas ligadas a Oppenheimer eram do partido, sendo muito da produção focada nesse interrogatório do físico, com tema dessas ligações. Jean acabou por deixar uma carta e desistir de sua existência, enquanto ele se torna mais político do que físico, como um amigo relata em certa cena.
Drama
Gestor de bombas – No lugar de se focar mais na física, técnicas e na bomba, o drama do filme foi mais nesse macartismo e foco de ver comunismo até na sombra. Mesmo ele se negando a fazer a bomba de hidrogênio, mais potente, ocorre que não pareceu muito arrependido pelo ocorrido no Japão, em Hiroshima e Nagasaki.
Nestas cidades, pessoas praticamente evaporaram, ou tiveram listras queimadas no corpo, quando com roupas. O físico se vê nisso tudo como um gestor de bombas, ainda justificando certo ato na filosofia hindu, uma vez que lia diretamente do sânscrito, o livro “Bhagavad Gita”.
Batalha
Estratégia – Longe da paz dos sábios e gurus, a guerra não serve a nada, além de satisfazer a arte de poderosos e inescrupulosos. Mesmo lembrando “A Arte da Guerra”, Sun Tzu ou de Maquiavel, que também mostra alguma estratégia. Fato é que o maquiavelismo da arma de destruição em massa, quando não usada apenas para assustar a Rússia, ou quando não era mais necessária, uma vez que a batalha já vencida.
Paus e pedras
Krishna – O Japão no filme não era objetivo, uma vez que se queria “trazer os nossos rapazes”, assim ficando na arma atômica uma forma de evitar esse conflito com os bravos herdeiros de samurais. O filme também leva a pensar sobre o que falou Einstein, que a quarta guerra seria com paus e pedras.
Fato é que o filme mostra a frieza e a fisionomia melancólica do físico, que se soma a poder e a frase “Agora eu me tornei a morte, a destruidora de mundos”, presente no livro sagrado hindu, dita por Krishna, e repetida.
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