MARIANO SOLTYS: LIÇÕES DA COPA PARA A VIDA E PLATÃO

FILOSOFIA DO SUL SÃO BENTO DO SUL

Dois cavalos têm de ser guiados pelo cocheiro, que pode ser comparado ao treinador

Por Mariano Soltys, filósofo e professor

A Copa do Mundo vem trazendo a atenção do mundo inteiro. Estrelas de todos os times dão um show com a bola, mas algo vai além disso. Fora dos jogos de apostas e do cassino virtual, temos de exercitar as virtudes, dentro e fora de campo. A disciplina, bem como o coletivo, importa muito, nas lições que o campo leva para a nossa vida.

Podemos comparar isso à parelha alada de Platão: dois cavalos, um bom e outro ruim, têm de ser guiados pelo cocheiro, que pode ser comparado ao treinador. Nas três classes, técnico-magistrado, jogador-guerreiro e torcida-produtores, a Copa se desenrola em uma vasta reflexão.

Cartão vermelho
Cocheiro – O cocheiro é a razão, e não se deve levar pela raiva ou pelo desejo. No caso do jogo, se o cavalo mau dominar, o jogador ganha cartão vermelho, sendo expulso. Mas se o cavalo branco sumir, o jogador fica com medo, o que ocorreu em muitas seleções grandes no começo da Copa, o que resultou em empate com times menores.

Assim os jogadores precisam exercitar virtudes – como a prudência, que é a capacidade do armador ler o jogo, sabendo a hora exata de acelerar o passe, de segurar a bola. No caso do Brasil, ele perdeu uma bola e levou o gol, por cobertura no goleiro. É a mente ou razão que governa os pés.

Virtude
Coragem – Outra virtude para os jogadores e time é a coragem. No caso dos pênaltis, o batedor não pode de modo algum ter medo, senão ele chuta a bola para a torcida, errando até o gol. A terceira virtude a que se refere Platão, a temperança, ao transpormos ao futebol, faz referência ao jogador que, ao receber uma falta ou entrada dura, não revida. Ele controla o seu ventre de instintos, pela razão, pela alma inteligível.

E uma quarta virtude necessária no campo e que serve para nossa vida é a justiça. Cada um tem a função que faz melhor. Logo seria estranho um goleiro sair jogando com os pés, ou quando um zagueiro não defende, um atacante não ataca. Fora de suas funções, o time perde.

Disciplina
Virtudes – A vida tira lições do campo. Assim a Copa do Mundo serve para filosofar, desde refletindo sobre as classes presentes, até a disciplina, bem como as virtudes, ensinada por Platão, em sua obra República. Os jogadores são guerreiros que mantém esse estado de coisas, o jogo, bem como o esporte, em harmonia numa justiça.

O ritual que deu abertura a Copa mostrou esse universo, que ilumina para certa nova ordem mundial de coisas. Deste modo, o cocheiro, o técnico, bem como a torcida, jogadores e tudo mais, podem governar até um caminho pela razão, vencendo assim jogos e, quiçá, o campeonato.

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