Os ataques de Milei a Lula e o manual da Extrema Direita
Por Diego Andrade, professor

Os ataques constantes de Javier Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva não podem ser vistos apenas como divergências entre dois líderes com visões políticas distintas. Eles fazem parte de uma estratégia que tem sido adotada por setores da Extrema Direita ao redor do mundo: substituir o debate sério por provocações, transformar a política em um conflito permanente e manter sua base mobilizada por meio da polarização.
Desqualificação
Problemas reais – Em uma democracia, divergências são naturais e até desejáveis. Governos podem discordar sobre economia, política externa, tributação ou o papel do Estado. O problema surge quando o diálogo é abandonado em favor de ataques pessoais, ofensas e discursos que buscam desqualificar o adversário em vez de discutir ideias. Essa prática empobrece o debate público e dificulta a construção de soluções para problemas reais.
Lideranças personalistas
Engajamento – A estratégia da Extrema Direita tem sido bastante semelhante em diferentes países. Em vez de apresentar respostas consistentes para temas como crescimento econômico, desigualdade, emprego ou mudanças climáticas, aposta na criação de conflitos permanentes.
O objetivo é manter a sociedade dividida entre “nós” e “eles”, alimentando a sensação de que qualquer adversário político representa uma ameaça. Essa lógica gera engajamento nas redes sociais, fortalece lideranças personalistas e desvia a atenção dos desafios concretos enfrentados pela população.
Componente interno
Custos – No caso de Milei, os ataques a Lula também têm um componente político interno. Ao confrontar um dos principais líderes da Esquerda latino-americana, ele reforça sua identidade diante de sua base eleitoral e se aproxima de outros líderes e movimentos da direita radical internacional.
No entanto, essa postura traz custos para a relação entre Brasil e Argentina, dois países que possuem uma parceria histórica, compartilham interesses econômicos estratégicos e são fundamentais para a integração regional.
Diferenças ideológicas
Confrontos públicos – Independentemente das diferenças ideológicas entre seus governos, Brasil e Argentina têm muito mais a ganhar com o respeito institucional e a cooperação do que com confrontos públicos. A diplomacia existe justamente para permitir que países com visões diferentes mantenham relações produtivas em benefício de seus cidadãos.
Democracia
Divergências – A democracia não se fortalece com insultos, provocações ou campanhas permanentes de hostilidade. Ela se fortalece quando as divergências são tratadas com respeito, quando os interesses nacionais prevalecem sobre disputas ideológicas e quando o debate político é pautado por argumentos, e não por ataques pessoais.
Agressividade
Polarização – É legítimo discordar de Lula, assim como de qualquer outro líder político. O que não contribui para o fortalecimento das instituições democráticas é transformar a agressividade e a polarização em método de governo e em estratégia de comunicação.
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