DIEGO ANDRADE: A AVENIDA COMO PALCO DA MEMÓRIA COLETIVA

POLITICANDO SÃO BENTO DO SUL

Ao longo das décadas, os desfiles nunca se limitaram apenas ao entretenimento

Por Diego Andrade, professor

O carnaval brasileiro é reconhecido mundialmente como uma das maiores expressões da cultura popular. Mais do que festa, é memória coletiva, arte viva e narrativa social construída pelo povo.

As escolas de samba, em especial, exercem um papel histórico: contar histórias, homenagear personagens marcantes, retratar lutas, conquistas, identidades e momentos que fazem parte da trajetória da sociedade brasileira.

Patrimônio cultural
Expressão –
Ao longo das décadas, os desfiles nunca se limitaram apenas ao entretenimento. Eles sempre foram espaço de expressão simbólica, de construção cultural e de representação da memória social. A música, o enredo, as alegorias e a performance formam uma linguagem artística própria, reconhecida como patrimônio cultural e como instrumento legítimo de manifestação popular.

Tema
Liberdade criativa –
Quando uma escola de samba escolhe um tema, ela exerce sua liberdade criativa e cultural. Trata-se de uma expressão artística coletiva, construída por trabalhadores da cultura, comunidades inteiras, compositores, artesãos, músicos, dançarinos e educadores populares.

Reduzir esse processo a interpretações equivocadas ou tentar criminalizar manifestações culturais significa desconhecer a natureza do carnaval e o papel histórico da cultura na formação social.

Senso coletivo
Reflexão –
A cultura não pode ser tratada como ameaça. Ela é, por essência, espaço de expressão, reflexão e identidade. O desfile é palco de arte, não de julgamento; é manifestação cultural, não infração; é memória viva, não motivo de censura. Ao longo da história, diferentes temas, figuras e acontecimentos foram representados na avenida, contribuindo para preservar narrativas e estimular o senso coletivo de pertencimento.

Pluralidade
Identidade –
Defender a liberdade cultural é defender o próprio patrimônio imaterial do povo. A pluralidade de ideias, a diversidade de expressões e o direito à manifestação artística são pilares de qualquer sociedade que valoriza sua história e sua identidade.

Foto Acadêmicos de Niterói/Divulgação

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