WILSON DE OLIVEIRA NETO: UM HISTÓRICO DE GUERRAS

A HISTORICIDADE DAS COISAS SÃO BENTO DO SUL

A paz no Oriente Médio se tornou algo cada vez mais distante

Por Wilson de Oliveira Neto, historiador

A ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada na madrugada de sábado, dia 28 de fevereiro, retomou na imprensa e nas redes sociais o tema das guerras no Oriente Médio.

Segundo os governos estadunidense e israelense, os ataques, que resultaram nas mortes do aiatolá Ali Khamenei e mais de 150 crianças e funcionários de uma escola primária em Minab, foram justificados como respostas à ameaça iminente que o Irã representava a esses países, sendo uma espécie de guerra preventiva, tal como em 1967, quando da Guerra dos Seis Dias.

Como no passado, nada de efetivo foi feito pela comunidade internacional, pois, embora guerras preventivas não existam no direito internacional, sendo consideradas ilegais pela Organização das Nações Unidas (ONU), Israel é uma potência e os Estados Unidos uma superpotência contra um País empobrecido e isolado por contra do seu desastroso regime político.

Conjuntura
Venezuela –
Da mesma forma que na Venezuela (lembram desse país?), falou-se na libertação dos iranianos de uma tirania liderada por Ali Khamenei. Da mesma forma na Venezuela, isso é conversa fiada que serve para estimular as tretas entre os anônimos nas redes sociais.

A compreensão da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã é possível por meio de uma análise do presente e sua conjuntura política em nível internacional, algo que está sendo muito bem realizada pelos estudiosos do Direito e das Relações Internacionais.

Por outro lado, sinto falta de um pouco de história, uma vez em que a ofensiva militar contra o Irã faz parte do histórico de guerras no Oriente Médio que tem como marco a fundação de Israel, em 1948.

Literatura especializada
Mudanças
– Embora a literatura especializada situe a região nas disputas colonialistas e imperiais situadas entre o final do século XIX e a primeira metade do XX, em maio de 1948, Egito, Síria, Líbano, Iraque e Transjordânia declararam guerra contra Israel.

A Guerra Árabe-Israelense de 1948 foi vencida por Israel e desencadeou mudanças políticas e territoriais sensíveis no Oriente Média, como, por exemplo, o início de uma crise de refugiados palestinos que foram expulsos de seus lugares de origem por conta dos combates.

Instalados e abolidos
Paz
– A partir daí, a paz no Oriente Médio se tornou algo cada vez mais distante, com novos conflitos militares em 1956, 1967, 1973, 1975/90, 1980/88, 1990/91 e 2003/11 – essas as guerras mais conhecidas pelo público por meio da imprensa e da indústria cultural.

São gerações de pessoas que nasceram, cresceram e morreram em contexto de violência cotidiana, de ataques aéreos ou de massacres contra civis. Regimes políticos foram instalados e abolidos por conta de quase oito décadas de guerras, assim como seus líderes foram empoderados ou depostos.

Nesse sentido, é claro ter em mente que o atual conflito militar entre Estados Unidos, Israel e Irã possui causas remotas, cujos reflexos reverberam até os dias de hoje e que alimentam ressentimentos e pretensões das nações em luta no Oriente Médio.

Wilson de Oliveira Neto é professor na Universidade da Região de Joinville (Univille) e coordenador do projeto “Divulga”; escreve quinzenalmente para a coluna “A Historicidade das Coisas”, do Jornal Edição Digital

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