WILSON DE OLIVEIRA NETO: O ESPAÇO, A FRONTEIRA FINAL

A HISTORICIDADE DAS COISAS SÃO BENTO DO SUL

O céu, as estrelas e o universo se tornaram nossas referências

Por Wilson de Oliveira Neto, historiador

Desde a pré-história, o céu noturno e o espaço fascinam a humanidade. Pois foi por meio deles que criamos nossos primeiros calendários, além vinculá-los aos nossos mitos e mitologias.

Enfim, quando nos tornamos seres existenciais e passamos a ir além do que nossos olhos nos mostram, o céu, as estrelas e o universo se tornaram nossas referências.

A partir do século passado, por meio das ciências e da ficção científica, estreitamos nossa relação com o universo tal como em nenhuma outra época histórica. O espaço se tornou pop e passou a fazer parte dos sonhos de jovens e adultos.

Empolgação
Superfície lunar – Essa empolgação foi renovada durante a noite de quarta-feira, 1º de abril de 2026, quando partiu em direção à Lua a Missão Artemis II com o objetivo de orbitá-la. O voo orbital está previsto para segunda-feira (6), quando a nave Orion passará entre 6.400 e 9.600 quilômetros sobre a superfície lunar.

Nesse dia, a nave e sua tripulação sobrevoarão o “lado oculto” da Lua, que mexe tanto com a nossa imaginação. E, se tudo der certo (e acredito que dará), a Orion reentrará em nosso planeta e pousará no oceano Pacífico no próximo dia 10.

A Missão Artemis II seria o início de uma “nova era” na exploração espacial? Ou, de forma mais anacrônica, estariam os Estados Unidos e a China no começo de uma “nova” corrida espacial?

Ceticismo
Indústria cultural – Sou um cético inveterado e receio que seja cedo para dizer não ou sim. Missões espaciais tripuladas são arriscadas, complexas e envolvem muitos recursos humanos, materiais e, principalmente, financeiros.

No presente, há muito mais sonhos que retornos concretos que justifiquem os investimentos necessários para, por exemplo, uma missão com o objetivo de realizar uma alunissagem ou, mesmo, a construção e o funcionamento de uma base lunar. Não é uma tarefa simples ir ao espaço, apesar do nosso imaginário estar cheio de referências oriundas da indústria cultural.

1969
Guerra Fria – E uma nova corrida espacial? Tenho minhas dúvidas, pois o que ocorreu entre 1957 e 1969 somente foi possível devido à existência de condições históricas muito específicas, como, por exemplo, a disponibilidade de recursos humanos, materiais e financeiros abundantes, decorrente de uma era de crescimento econômico ímpar.

Isso sem falar de uma baita motivação ideológica chamada Guerra Fria, que tornou a exploração espacial um tour de force tecnológico e um tremendo desafio para os Estados Unidos, uma vez em que foi a União Soviética que saiu na frente, mantendo-se na liderança da corrida por muito tempo.

Outros tempos
Inesquecível – Eram outros tempos. Portanto, apesar de toda empolgação que a Missão Artemis II estimula, receio que seja cedo para afirmar se estamos no início de uma nova história da exploração espacial.

Contudo, isso não nos impede de sonharmos com o espaço, a “fronteira final”, tal como narrado pelo inesquecível Capitão James Tiberius Kirk, comandante da USS Enterprise, em sua missão de cinco anos para explorar novos mundos, para pesquisar novas vidas, novas civilizações… Audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve!

Wilson de Oliveira Neto é professor na Universidade da Região de Joinville (Univille) e coordenador do projeto “Divulga”; escreve quinzenalmente para a coluna “A Historicidade das Coisas”, do Jornal Edição Digital

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