MARIANO SOLTYS: QUEM VIU OS RONALDOS E ROMÁRIOS NÃO ENCONTRA MAIS ESSA EMOÇÃO

SANTA CATARINA

Presenciamos nessa semana uma série de críticas contra a Seleção Brasileira

Por Mariano Soltys,
filósofo e professor

Presenciamos nessa semana uma série de críticas contra a Seleção Brasileira, sem, contudo, propor muitas alternativas. Desde as falhas do goleiro, que parecia fugir da bola, até a falta de ataques mais efetivos, ou falhas da defesa, isso sem falar nos craques, que pela Europa ocupam os bancos de reserva. Isso nos leva a pensar em diversos pensadores, como os estoicos, os existencialistas, e os utilitaristas, entre outros.

O técnico anda testando os jogadores.  O erro, segundo alguns, foi começar com a Seleção que ele utilizou no início da Copa, que não foi muito eficiente. Vimos jogar essa semana também a campeã, a Espanha, e esta entrou com tudo – apesar de a copa que disputa ser mais importante, não um mero amistoso. Antigamente, a Seleção goleava em amistosos.

Opinião
Base – Seguindo um ponto de vista utilitarista, o melhor seria que o maior número de pessoas estivesse feliz, e não apenas o treinador. Não podemos ter por exemplo o espírito da Itália, que já anda a nem participar de Copas do Mundo.

A opinião de alguns não deve prevalecer sobre a maioria. O time que venceu os jogos deveria ser a melhor escolha. Jogadores em destaque, se investir na base para outra geração, também. Valorizar o futebol brasileiro, e não ficar tentando imitar o europeu.

Antes de ser, se existe, segundo pensadores existencialistas. Nós escolhemos nosso destino. Estamos condenados à liberdade. Também o método moderno é o da experiência. Uma vez que se obtém os melhores resultados, se deve optar. Não se pode testar o que já deu errado. O melhor time é o que melhor joga. Não se tem espaço para uma lógica que desafie a lógica de identidade aristotélica. O pior time não pode ser o melhor.

Hexa
Resultados – Fato é que a vida nos testa, nos prova. Não é à toa que os estoicos pensavam na indiferença. Temos de ir levando e compreendendo o pior. Não temos um time para o hexa. Talvez logo tenhamos. Mesmo assim, os resultados ruins devem ocorrer. Também os bons. Preocupar-nos para quê? Eu vivi a Copa de 1994 e 2002. Seria o mesmo que exigir um Ayrton Senna, que também vi correr. Os gênios não nascem todos os dias. Quem viu os Ronaldos e Romários, dentre outros, não encontra mais essa emoção.

Foto Rafael Ribeiro/CBF

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