MARIANO SOLTYS: COMO NASCE UM FILÓSOFO

FILOSOFIA DO SUL SÃO BENTO DO SUL

Dor e prazer são nele faces da mesma moeda

Por Mariano Soltys, filósofo e professor

Alguém às vezes pergunta como nasce um filósofo. Isso faz lembrar Pitágoras, que era quase cultuado entre seus discípulos. Mesmo também Sócrates, que igualmente nada escreveu, demonstra esse perfil um tanto incomum. Vamos começar pelo começo.

Ele não nasce de um particular, mas do Todo. É um vir-a-ser que se desvela numa metanarrativa, já muito reconstruída na sua ipseidade. Para todo o lado, ele é um devir. A vontade de viver é nele a sublimação, o seu Ser é todo vacuidade do que não se entende nesse tempo. O filósofo é atemporal.

Virtude
Melancolia –
Dor e prazer são nele faces da mesma moeda. Ele é um samadhi encontrado na virtude mais contemplativa a realizada. Nessa yoga ele é preenchido pelas ideias de todo um universo. Ele é músico das ideias, acessa a música das esferas. O filósofo nasce duas vezes, ele é renascido pelo espírito. O conflito é nele uma dialética que se resolve, diferente da lógica dualista que geralmente devora a todos.

Máscaras prateadas
Panlogia –
Devorado pelo tempo, ele é um Saturno encarnado, a melancolia que se oculta em máscaras prateadas. Não é uma dúvida, ele sente a dúvida, não duvida, mas questiona. Cada sentido é nele tão intenso, mas é alquimicamente purgado em uma substância filosófica.

Nele se encontram as estrelas, e o telescópio de sua alma é uma tecnologia indubitável. Ele é uma Panlogia, o conhecimento do Todo. Sua regra é o Cósmico em-si, uma substância que permeia e transcreve todas as palavras. Metafisicamente ele desafia o próprio desafiar, é um Verbo que se conjuga no mais-que-perfeito. O filósofo é como animal de rapina, ele caça do alto, ele devora serpentes, ele vence dragões de ignorância.

Rito secretíssimo
Quintessência –
Longe de questionar como nasce, talvez a sua morte seja uma resposta, nessa iniciação de rito secretíssimo. A luz é sua morada, o céu é seu aconchego. Ele é quase-uma-coisa, mas de modo virtualizado, é um código que se-fez-na-sacralidade. Um sem-fim, que compreende a unidade de se desfazer no mundo de aparências e superficialidades.

Sua verdade é uma quintuplicidade de essência e quintessência. O filósofo nasce quando o restante já morreu, é a voz profética de um eterno que se plenifica. Seu tempo não é agora, nem nunca foi. Por isso deixo essa dica. Revelo esse segredo a poucos, que são leitores raros na obra do mundo, no seu livro.

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