DIEGO ANDRADE: A DEFESA DA DEMOCRACIA PASSA PELA REGULAMENTAÇÃO DAS REDES SOCIAIS

POLITICANDO SÃO BENTO DO SUL

A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não pode ser confundida com o direito de espalhar mentiras

Por Diego Andrade, professor

As redes sociais transformaram profundamente a forma como as pessoas se comunicam, se informam e participam da vida pública. O que começou como uma ferramenta para aproximar pessoas tornou-se um dos principais meios de circulação de informações, influenciando eleições, comportamentos, debates políticos e até decisões econômicas.

Diante desse cenário, a discussão sobre a regulamentação das plataformas digitais tornou-se uma necessidade urgente para a proteção da democracia e dos direitos dos cidadãos.

Regras claras
Conteúdos – Ao contrário do que afirmam alguns setores, regulamentar as redes sociais não significa censurar opiniões ou restringir a liberdade de expressão. Pelo contrário: significa criar regras claras para responsabilizar empresas bilionárias que lucram com a circulação de conteúdos, inclusive aqueles que promovem desinformação, discursos de ódio, golpes financeiros e ataques às instituições democráticas.

Atualmente, as grandes plataformas possuem um poder sem precedentes sobre o fluxo de informações. Seus algoritmos determinam quais conteúdos terão maior alcance e visibilidade. Muitas vezes, informações falsas e sensacionalistas recebem mais engajamento do que notícias verificadas, pois despertam emoções intensas e mantêm os usuários conectados por mais tempo. O resultado é um ambiente favorável à polarização, à radicalização política e à disseminação de mentiras.

Episódios
Processos eleitorais – O Brasil já vivenciou diversos episódios em que notícias falsas causaram prejuízos à sociedade. Durante processos eleitorais, campanhas de desinformação foram utilizadas para manipular a opinião pública.

Durante a pandemia, informações falsas sobre vacinas e tratamentos colocaram vidas em risco. Em ambos os casos, ficou evidente que a ausência de regras adequadas favorece aqueles que utilizam as plataformas para enganar a população.

Outro ponto importante é a proteção de crianças e adolescentes. Redes sociais sem mecanismos eficazes de controle tornam-se ambientes propícios para o cyberbullying, a exploração infantil e o contato com conteúdos violentos ou inadequados. A regulamentação pode exigir maior transparência das empresas e a adoção de medidas de segurança mais rigorosas para proteger os usuários mais vulneráveis.

Golpes virtuais
Fraudes digitais – A regulamentação também é necessária para combater golpes virtuais e fraudes digitais, que crescem a cada ano. Milhares de brasileiros são vítimas de estelionatários que utilizam as redes sociais para aplicar golpes financeiros. Estabelecer responsabilidades para as plataformas ajuda a criar um ambiente digital mais seguro para todos.

É importante destacar que países democráticos já avançaram nessa discussão. A União Europeia aprovou legislações que exigem mais transparência das plataformas e mecanismos de combate à desinformação e aos conteúdos ilegais. Essas medidas não acabaram com a liberdade de expressão, mas fortaleceram a proteção dos cidadãos diante do poder das grandes empresas de tecnologia.

Censura?
Responsabilidade – Os setores mais radicais da Extrema Direita costumam se opor à regulamentação alegando que ela representaria censura. No entanto, essa narrativa ignora que toda atividade econômica e social relevante possui regras.

Existem leis para rádios, emissoras de televisão, bancos, empresas de transporte e diversos outros setores. Não há motivo para que plataformas que movimentam bilhões de dólares e influenciam milhões de pessoas atuem sem qualquer tipo de responsabilidade.

Manipulação
Informação – Defender a regulamentação das redes sociais é defender a democracia, a transparência e a proteção da sociedade. A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não pode ser confundida com o direito de espalhar mentiras, promover violência ou lucrar com a manipulação da informação. O desafio do nosso tempo é construir um ambiente digital livre, plural e responsável, capaz de fortalecer a cidadania e não de ameaçá-la.

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