WILSON DE OLIVEIRA NETO: O ANO ZERO

A HISTORICIDADE DAS COISAS SÃO BENTO DO SUL

Pós-guerra também marcou o início da Guerra Fria

Por Wilson de Oliveira Neto, historiador

Na próxima terça-feira, 2 de setembro, será comemorado o aniversário de 80 anos do fim definito da Segunda Guerra Mundial, com a rendição incondicional do Japão, durante uma cerimônia realizada no deque do encouraçado USS Missouri, na ocasião, ancorado na baía da cidade de Tóquio, ao largo de Yokohama.

“Embora a luta tivesse acabado no Pacífico e no sudeste asiático em 15 de agosto, a guerra prosseguiu na Manchúria até o dia anterior ao da cerimônia na baía de Tóquio”, escreve o historiador Antony Beevor. No USS Missouri, as autoridades japonesas responsáveis por assinarem o instrumento de rendição foram recebidas pelo general Douglas McArthur e Chester Nimitz.

Literatura acadêmica
Década de 1930 –
A rendição japonesa marcou o fim de um conflito global, que, segundo Richard Overy, foi iniciado no começo da década de 1930, sendo a última grande guerra imperial do mundo moderno/contemporâneo. Ah, sim, a literatura acadêmica sobre a Segunda Guerra Mundial vem revisando suas definições e recortes geográficos e temporais.

Os reflexos desse conflito reverberaram ao longo, pelo menos, das cinco décadas seguinte ao seu término, especialmente, em níveis de imaginário e memória sociais, conforme é possível constatar nos trabalhos de autores brasileiros e estrangeiros, como por exemplo, Keith Lowe e Susan Suleiman.

Retomada
Depoimentos orais –
Vejamos, por exemplo, o período conhecido como “pós-guerra”, situado, aproximadamente, entre 1945 e 1955. Nos municípios de colonização de língua alemã situados no Sul do Brasil, como por exemplo, Joinville e São Bento do Sul, foi uma época de retomada dos contatos entre seus habitantes de ascendência alemã e seus amigos e parentes localizados na Alemanha, uma vez em que, de 1942 a 1945, as comunicações diretas entre esses países foram cortadas devido ao estado de guerra.

São recorrentes nos depoimentos orais coletados pelos historiadores locais referências à essa retomada de contato, assim como do envio de roupas e demais objetos de primeira necessidade aos amigos e parentes localizados em um país destruído pela guerra e ocupado militarmente.

Outra evidência
Correspondência –
Outra evidência é a grande quantidade de correspondência remanescente trocada entre Brasil e Europa, a exemplo das correspondências de prisioneiros de guerra alemães em campos de prisioneiros aliados localizados na Europa. Era um tempo de obter notícias e restabelecer os contatos.

Penúria
Ocupação militar –
Na Alemanha e Áustria, o ano de 1945 é conhecido como “ano zero”, sendo um período marcado pela penúria e ocupação militar, já que os seus respectivos territórios foram ocupados e divididos em zonas de ocupação americana, britânica, francesa e soviética.

Paralelamente, o pós-guerra também marcou o início da Guerra Fria e de um novo embate pela hegemonia no mundo entre antigos aliados, os Estados Unidos e a União Soviética, as superpotências responsáveis pela vitória aliada há 80 anos. 

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