Os estudiosos da história do Brasil na Segunda Guerra Mundial, em particular os “febianistas”, estão de luto
Por Wilson de Oliveira Neto, historiador

Os estudiosos da história do Brasil na Segunda Guerra Mundial, em particular os “febianistas”, estão de luto. Faleceu no dia 05 de fevereiro o professor, historiador, divulgador e empresário Cesar Campiani Maximiano. Campiani, como também era carinhosamente chamado, era natural da cidade de São Paulo. Nasceu em 1971 e, durante sua juventude, envolveu-se com o a cena punk paulistana.
Contudo, conheci somente o Cesar historiador. Graduado em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (ele “pulou” o Mestrado e foi direito para o Doutorado pela qualidade do projeto que apresentou), Cesar Campiani Maximiano foi a maior autoridade sobre a Força Expedicionária Brasileira (FEB), cujo mérito da sua obra é reconhecido internacionalmente.
Livro
Heróis – Seu primeiro livro foi publicado em 1995, aos 24 anos de idade, com o título “Onde estão nossos heróis: uma breve história dos brasileiros na 2ª Guerra”, cujo percurso de estudos iniciado na década de 1980 resultou em “Barbudos, sujos e fatigados: soldados brasileiros na Segunda Guerra Mundial”, lançado em 2010 pela Grua Livros, sendo considerado o seu trabalho mais importante.
No ano seguinte, 2011, em coautoria com Ricardo Bonalume Neto, a FEB ganhou espaço na célebre coleção Man-at-Arms, da renomada editora britânica Osprey Publishing, com o volume “Brazilian Expeditionary Force in World War II, trabalho este com a cultura material febiana que se tornou referência obrigatória para historiadores e reencenadores brasileiros e estrangeiros.
Produção bibliográfica
Docência superior – Enfim, a produção bibliográfica “do Campiani” vai muito além, assim como sua atuação na docência superior, que embora breve, marcou as memórias dos seus ex-alunos e colegas, conforme é possível constatar nas diversas manifestações de pesares nas redes sociais.
Cesar Campiani Maximiano possuía uma formação sólida no campo da História, que ultrapassou os escopos da FEB e da Segunda Guerra Mundial. Ele dominava os fundamentos teóricos e metodológicos da pesquisa e escrita da história, algo que o tornou imune aos modismos e às patetices da academia no Brasil.
Lerdos
Bobagens – Por outro lado, ele não tinha paciência e descia lenha nos brasis para lerdos da vida e suas bobagens. Ele foi um jovem erudito e uma pessoa muito criteriosa com o estudo do passado por meio da história. Costumo dizer que queria ser como ele quando crescer.
R.I.P. Cesar Campiani Maximiano (1971-2026).
Wilson de Oliveira Neto é professor na Universidade da Região de Joinville (Univille) e coordenador do projeto “Divulga”; escreve quinzenalmente para a coluna “A Historicidade das Coisas”, do Jornal Edição Digital
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