MARIANO SOLTYS: “VILAREJO DO AMOR” E AMOR PLATÔNICO

FILOSOFIA DO SUL

Programa revela que a esperança de encontrar a cara metade nunca se perde

Por Mariano Soltys,
filósofo e professor

Começou a terceira temporada do programa japonês “Vilarejo do Amor”, revelando que a esperança de encontrar a cara metade nunca se perde. Longe de se desistir, os participantes demonstraram que se pode encontrar o que se procura. Platão ensinava que a busca é por perfeição, ou que se deveria ter procurado o amor elevado, Eros celestial.

Já mais em tempos atuais, Bauman falaria que todo o amor é líquido, sem muita estabilidade. Mas quase todos falam em uma relação mais estável, então sólida. Uma curiosidade é que o velho conhecido do programa, Anchova, participa dessa nova temporada. Ambientado próximo ao Monte Fuji, há boa evolução no reality.

Diversas profissões
Simpáticos comentários – Contendo participantes de diversas profissões, o Vilarejo do Amor começa com o encanto do médico, Barron, que sem muito interesse afetivo, conquistou duas participantes, a maquiadora, Kathy, e outra, Oyabun, ex-comissária de bordo, que têm interesse na união com o médico.

Com simpáticos comentários da apresentadora Becky, junto a seu amigo, Atsushi, também emotivo, muitas lágrimas são derramadas pelos desafios de participantes, que desde doenças severas, até uma vida sofrida no amor, antes de participarem. Dessa vez foram apressados em tocar o sino os participantes, em especial o Anchova, que já retorna pela terceira vez a participar, sendo o queridinho, contudo não tendo muito foco em sua paixão.

Alguns acidentes
Maratona – Também alguns acidentes e muito médico presentes nessa temporada, sendo o amor mais maduro um tanto difícil. A queridinha também foi Kathy, que corria uma maratona a cada dia, sendo que isso por ter sofrido com os revezes da vida, o que é explicado no programa.

Dois participantes acabaram tendo de se tratar ao longo do programa, Shi-kun e Oyabun, além do médico ter voltado ao seu trabalho, desistindo da participação, entre outros acontecimentos que trazem a reviravolta no reality.

Com novos integrantes que adentram depois, o amor acaba renascendo, apesar do participante de 60 anos, Pakushi, se apaixonar pela moça que também se trata de uma grave doença, Enokano, deixando cartas de amor em seus sapatos. Já Muuko, a participante mais jovem, de 38 (com cara de 28…), não deixou sua paixão esfriar, apesar do tratamento médico do pretendente, Shi-kun, também o mais jovem.

Programa antigo
Diferenças culturais – Vilarejo do Amor é baseado no “Ainori Love Van”, a “Van do Amor”, que era um programa antigo japonês, já unindo casais, desde 1999. Com bom humor, um ambiente leve e divertido, o programa é conquistador. As diferenças culturais do Japão ficam evidentes, mostrando a grande dificuldade de conquista de participantes, bem como o amor levado a sério.

Sino
Celeste – A diferença é que em Love Van se entregava uma passagem ao pretendente, e no Vilarejo do Amor se toca o sino. A apresentadora, Becky, é a mesma. Enfim, o amor platônico permanece – e as pessoas procuram um ideal elevado. O amor celeste mesmo assim é uma boa busca, e a vontade de viver é o amor.

Foto Netflix/Reprodução

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