MARIANO SOLTYS: DIA DA INDEPENDÊNCIA E PENSAMENTO POSITIVISTA

FILOSOFIA DO SUL SÃO BENTO DO SUL

A frase original seria “Amor, ordem e progresso”; perdemos o amor

Por Mariano Soltys, filósofo e professor

Estamos a chegar a mais um dia 7 de Setembro, e muitos se perguntam sobre como estamos independentes. Fato é que o Brasil se mostra muito dependente, e que o pensamento positivista, republicano – e também militar –, resultou na comemoração de dias que ganharam significado maior do que um apelo popular, realmente.

O povo pouco sabia, talvez. Era o povo de uma elite, que decidia, assim como acontece em política atual, com candidatos repetidos e uma fórmula democrática um tanto sujeita a críticas, como já via Sócrates ao seu tempo.

Simbologia
Patriota? – Um tema curioso é o da bandeira. Nossa bandeira tem muita simbologia inspirada nos republicanos e na filosofia positivista, de Auguste Comte. “Ordem e progresso” é o que se lê ao seu centro. Mas a frase original seria “Amor, ordem e progresso”; perdemos o amor.

Há quem seja patriota e busque refúgio em outros países. Estranhamente estão notando que o Brasil não é tão ruim quanto se pinta. Voltando à bandeira, fato é que não se pode desrespeitar o seu uso. Usar em fantasias, deixar uma bandeira do Brasil rasgada, deixar na chuva e assim por diante. São as regras da bandeira, que parece muitos não conhecerem e usarem de forma indiscriminada.

Hierarquia inferior
Ciências – O curioso do filósofo que inspirou a nossa bandeira é que a sua marca é a ciência, e não a Deus, como muitos brasileiros creem. Feita uma pesquisa, se constatou que muitos não votariam em um candidato que não acreditasse em Deus.

O positivismo, por sinal, tem uma religião científica, e não se preocupa com o teológico, estado no qual coloca para o passado, na história. Também não se preocupam com coisas abstratas, deixando a matemática numa hierarquia inferior, das ciências. No topo estaria a sociologia!

“Povo” de elite
Ideologia francesa – Já escrevi que D. Pedro proclamou a independência não pelo povo, mas por um certo “povo” de elite. O mesmo aconteceria com a proclamação da república, que seria um golpe militar. Pouco popular foi tal decisão. Na monarquia o Brasil era um país de primeiro mundo. Depois se torna um país em desenvolvimento, ou mesmo subdesenvolvido, com a idealizada república.

Fato é que o pensamento positivista, seja em Benjamin Constant, para qual existe nome de rua nas cidades, bem como outros intelectuais inspirados na ideologia francesa da moda, pouco tinham a ver com o povo brasileiro. Ainda havia escravidão! Assim como um pensamento liberal que chega ao Brasil, mesmo certo iluminismo, estavam longe da prática nacional e da realidade.

Decisão
Morte popular – Independência ou morte! Acho que foi apenas uma morte do popular e uma decisão das elites. E “diga ao povo que fico”, também se referindo ao povo de certa elite.

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