MARIANO SOLTYS: FOI UMA CHERNOBYL BRASILEIRA

FILOSOFIA DO SUL SANTA CATARINA

Série “Emergência Radioativa”, a ciência e a educação

Por Mariano Soltys, filósofo e professor

A escola é o meio em que a ciência parece entrar de modo profundo na sociedade. Mesmo assim, a prática dessa competência nem sempre chega até o dia a dia. Desse modo, ainda se tem de ter cuidado com certas formas de resíduos, ainda mais os radioativos. Máquinas usadas, bem como quem cuida delas, tem de ter o máximo cuidado.

Assim, a empresa responsável pelo cuidado pode responder, bem como o órgão que cuida de tais dejetos, ou maquinário. O caso de Césio 137 em Goiânia revelou todas e muito mais camadas, em 1987. Triste a série mostrar o sofrimento que muitos tiveram, por diversos desses fatores.

Físico nuclear
Incidência – Na série, um físico nuclear descobre por meio de um leitor, o caso de alta incidência de radiação. O caso se deu quando homens encontram uma máquina de radioterapia abandonada, que tem dentro dela pó de Césio 137, um elemento radioativo.

Desse modo, levando e vendendo em ferro velho, parece em troca de marmita, restou que ao abrir a máquina, tiveram contato com o elemento radioativo, além de presentear amigos e até uma criança, que ingeriu o pó, mesmo em pequena quantidade.

Nem em tudo a série é fiel ao ocorrido, mas mostrou diversas falhas de segurança, que resultaram na maior catástrofe de acidente radioativo do mundo, sem ser uma usina. O pior que a peça da máquina passou por ônibus, e ainda teve outro desenrolar.

Fiscalização?
Casas demolidas – Morreram quatro pessoas, apesar da série ter o número de contaminados já ter passado de 1,3 mil, sofrendo em decorrência da radiação. Também o físico nuclear já era da organização, sendo alguns fatos mais para emocionar o público da série, como em relação a sua vida pessoal. Há quem diga que já passou em torno de 100 mortes. Na época, 249 contaminados foram reconhecidos no estádio.

O problema é que na época não existia ninguém que fiscalizasse esses equipamentos, e assim houve muito vácuo. Muitas pessoas foram contaminadas e mais de cem foram analisadas em estádio Olímpico, na época.

Sete casas foram demolidas, árvores cortadas e até terra retirada para amenizar o acidente. Áreas isoladas, pessoas em quarentena e ainda muita coisa ocorreu. Foi uma Chernobyl brasileira.

Brilho azul
Astronautas – O brilho azul levou as pessoas à curiosidade e a falta de informação foi um tanto fatal, somada a irresponsabilidade de pessoas que descartaram ou fiscalizaram a máquina de radiologia. O ferro velho foi o foco, ainda se levou a peça aberta para casa, e ainda se levou no ônibus o equipamento. A série mostra esses fatos e ainda o tratamento de pessoas contaminadas.

Pelas roupas de astronautas, os técnicos que passavam pela cidade, assustavam os moradores. Mas a ciência salvou muitas vidas. E a educação teria talvez afastado as pessoas do ocorrido, salvando mais vidas. Ocorre que pessoas foram condenadas pelo ocorrido, uma vez responsáveis pela máquina e a não correta destinação do aparelho, bem como pela morte das vítimas.

Vítimas
Homenagem – Resta se respeitar e amenizar a vida das vítimas dessa tragédia de Goiânia. Homenagem tem de ficar a equipe médica que trabalhou na época e os técnicos na descontaminação.

Foto Netflix/reprodução

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