MARIANO SOLTYS (FILOSOFIA NO SUL): O FILME “ARMADILHA” PROMETIA MAIS

FILOSOFIA DO SUL SÃO BENTO DO SUL

Mas, em geral pode ser útil a uma criminologia, a fim de se estudar o perfil de pessoas perigosas e quebrar algumas ilusões produzidas por esses predadores

Por Mariano Soltys,
filósofo e professor

Dirigido por M. Night Shyamalan, o filme “Armadilha” já entregava no trailer o que estava programado. Uma coisa se destacou, porém: a inigualável representação de ator Josh Hartnett, que leva nas costas um filme, que, após o episódio do show, fica monótono, focando na divulgação da jovem atriz, que faz a cantora Lady Raven, personagem de Seleka, filha do diretor. Mas em geral o filme pode ser útil a uma criminologia, a fim de se estudar o perfil de pessoas perigosas e quebrar algumas ilusões produzidas por esses predadores.

O filme se trata de um suspense psicológico, que em alguns momentos lembra “Hannibal”, mas com bem menos inteligência. O vilão enrola uma série de pessoas com sua manipulação, ainda usando a filha adolescente, Riley, estrelada por Ariel Donoghue, que ainda foi criticada por atuação mediana, por alguns. Fato é que estava dentro do esperado. Já o ator Josh chega a impressionar pela expressão corporal, que em certos momentos entrega uma mente doentia do personagem, ali chamado de açougueiro.

No final é um louco
Atitudes –
Os segredos junto à esposa, Rachel, feita por Alisson Pill, chegam até um momento e enfim encontram a armadilha, uma vez que por mais esperto que seja um psicopata, no final é um louco, como disse o policial em Silêncio dos Inocentes, filme que se assemelha a Armadilha. O perfeccionismo do vilão mostra bem as atitudes dos predadores, que tudo conquistam, em especial pela sedução e pela lábia. Mas em algum momento são descobertos, e enfim, presos.

Momentos estranhos
Cativeiro –
O filme tem certos momentos estranhos, como quando a cantora Raven faz uma live para salvar a vida de um rapaz em cativeiro, entre tantas outras situações confusas, como quando se tranca em banheiro com celular de serial killer. Por muito menos, em situação real, ela estaria morta. Não se joga com pessoas predadoras, uma vez que somente ela está o centro de tudo, e não há espaço para competição.

Também a filha não desconfiar de nada também parece um tanto ingênuo, uma vez são muito inteligentes os adolescentes, e eles sacam muita coisa rapidamente. O tema da infância do vilão, que não é mostrada, mas sugerida pela cantora, leva a se pensar, bem como sugere uma continuação do filme, mas que não teria a mesma aura de um Halloween, Sexta-feira 13 ou outros, com personalidades bem mais trabalhadas, dos vilões.

Fome de suspense
Exceção –
O filme Armadilha de certo modo prometia mais em seu trailer, e quem o viu deve ter gostado, mas ficado com mais fome de suspense. O foco demasiado na filha do diretor desvia o enredo, e assim constrói algo um tanto irreal, com exceção do grande ator Hartnett, que leva consigo todo o filme, sendo que em cada cena ele incorpora o personagem, que poderia ser melhor explorado em uma continuação, já não focada na cantora, mas nele mesmo, uma vez parece fugir no final.

No mesmo barco
Sombra humana –
“Armadilha” gerava mais expectativa, e outras produções recentes estão indo no mesmo barco, sendo que é bom que se produza novos suspenses, com narrativas atuais, como a de redes sociais, cancelamento, fake news, etc.

Os filmes retratam a nossa sociedade, e, em meio à produção artística, também revelam a sombra humana, que muitas vezes está menos explorada do que deveria, mas que deve gerar cuidados para quem nota os sinais, como perfeccionismo e egocentrismo exagerado, ou maldade que se revela desde a infância, como maltrato a animais e outros fatos.

A criminologia já estuda de algum tempo fatores sociais e psicológicos desses assassinos, e o importante é se aprender a como evitar e prevenir tragédias maiores, ou salvar vidas, uma vez cada momento é crucial para se combater o crime.

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