Porém, sem cadeiradas, mesquinharias e preconceitos regionais contra garçons migrantes
Por Wilson de Oliveira Neto, historiador

Hoje estou meio Ed Motta. Porém, sem cadeiradas, mesquinharias e preconceitos regionais contra garçons migrantes. Eu também curto algumas taças de um bom vinho, embora eu não seja enófilo ou, muito menos, um “enochato”.
Acho brega e anti-higiênico enfiar o meu narigão dentro da taça para sentir os aromas de uva e frutas vermelhas com toques de terra molhada com água da chuva. Na minha óptica, vinho é diversão e sociabilidade, especialmente, com as pessoas que amamos.
Fermentação
Domesticação – Vinho é uma palavra de origem latina, vīnum, e, grosso modo, consiste em uma bebida alcoólica produzida a partir da fermentação do suco de uvas. Os fatos arqueológicos mais antigos acerca do vinho estão situados entre 8 e 5 mil anos a.C., onde hoje estão localizados o Irã, a Turquia, a Geórgia e a China.
Já a domesticação da videira, acredita-se que ocorreu por volta de 3 mil a.C., na região do Crescente Fértil, no Oriente Médio, ao longo do vale do rio Nilo e na Suméria, no sul da Mesopotâmia.
Desenvolvimento
Roma – O vinho e a cerveja estão entre os líquidos mais antigos produzidos pela humanidade. Contudo, eram bebidas muito diferente daquelas que estamos acostumados a consumir em nossa época e, certamente, estranharíamos muito os seus odores e sabores. Na Hélade, o início da produção de vinho ocorreu, aproximadamente, a partir de 6.500 a.C.
Contudo, foi em Roma que a fabricação vinífera sofreu um significativo desenvolvimento, com variedades de uvas e novas técnicas de cultivo, produção e armazenamento do vinho. Devemos aos romanos a relação entre o consumo de vinho e a saúde.
Maior consumidor
Média – Atualmente, os Estados Unidos são o maior consumidor mundial de vinho, em volume total. Contudo, os portugueses lideram a quantidade per capita, com uma média anual de 61, 1 litros. 227 milhões de hectolitros foi a produção mundial de vinho, em 2025/26, sendo Itália, França e Espanha são os maiores países produtores. Porém, afirma-se que esses dados representam uma queda na produção internacional.
E o Brasil?
Viticultura – E o Brasil? A introdução da viticultura no País ocorreu no século 16, com Brás Cubas, na antiga capitania de São Vicente. No Sul, o cultivo da uva e a produção de vinhos são atribuídas aos jesuítas. No século 19, a fabricação de vinho foi estimulada pela imigração italiana, sendo na década de 1970 modernizada.
Atualmente, ocorrem crescimentos no consumo e produção de vinhos, com a valorização dos vinhos finos, com destaque para a Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul. Como consumidor, gostaria de chamar a atenção para a qualidade dos espumantes e vinhos brancos e rosés nacionais, cada vez mais reconhecidos internacionalmente pela qualidade.
Personalidade
Refeição – Porém, receio que os nossos tintos ainda têm muito caminho pela frente, uma vez em que não são semper idem e carecem de personalidade. Mesmo assim, não são intragáveis, sendo opções legais para uma boa refeição, sem cadeiradas, mesquinharias e enochatos.
Wilson de Oliveira Neto é professor na Univille e coordenador do projeto “Divulga”. Escreve quinzenalmente para o Jornal Edição Digital.
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