A ditadura deixou um legado de violência e violações
Por Diego Andrade, professor

No dia 31 de março de 1964, o Brasil entrou em um dos períodos mais sombrios de sua história. O Golpe Militar depôs o governo democraticamente eleito de João Goulart e instaurou uma ditadura que durou 21 anos, marcada por censura, perseguição política, tortura e a supressão das liberdades individuais. Passados 61 anos desse evento, é fundamental refletirmos sobre seu legado e reafirmarmos nosso compromisso com a democracia.
A intervenção militar foi justificada sob o pretexto de evitar uma suposta ameaça comunista e restaurar a ordem no País. No entanto, o regime autoritário instalado restringiu os direitos civis, eliminou a liberdade de expressão e impôs um modelo de governo sem participação popular. O Ato Institucional Número 5 (AI-5), promulgado em 1968, foi um dos momentos mais repressivos, permitindo o fechamento do Congresso Nacional, a cassação de mandatos parlamentares e o endurecimento da censura.
Direitos humanos
Esclarecimento – Além disso, a ditadura militar deixou um legado de violência e violações aos direitos humanos. Muitas pessoas foram perseguidas, presas, torturadas e assassinadas pelo regime, incluindo estudantes, jornalistas, intelectuais e líderes políticos. O desaparecimento forçado de opositores é uma ferida aberta na história do País, e muitas famílias ainda buscam por justiça e esclarecimento sobre o paradeiro de seus entes queridos.
Processo de redemocratização
Eleições livres – Nos anos 1980, a pressão popular e as mobilizações sociais impulsionaram o processo de redemocratização. Movimentos como as “Diretas Já” exigiram o fim do regime e a realização de eleições livres. A promulgação da Constituição de 1988 simbolizou a reconstrução das instituições democráticas e a garantia de direitos fundamentais para os cidadãos brasileiros.
Compreender a história do Golpe Militar e suas consequências é essencial para evitar retrocessos e assegurar que a democracia seja constantemente fortalecida. Em tempos de desinformação e ataques às instituições democráticas, é necessário relembrar que regimes autoritários não oferecem estabilidade nem segurança, mas sim censura, repressão e a supressão de direitos.
Valor inegociável
Memória – A democracia é um valor inegociável. Ela permite a pluralidade de ideias, a liberdade de expressão e o direito de escolha da população. Defender a democracia significa proteger os direitos conquistados, respeitar as instituições e garantir que nenhum retrocesso coloque em risco as conquistas obtidas com tanto esforço.
Ao lembrar os 61 anos do golpe militar, não estamos apenas resgatando a história, mas reafirmando nosso compromisso com a liberdade e a justiça. Que essa memória sirva de alerta para que nunca mais permitamos que o autoritarismo se instale em nosso país. Somente através da defesa intransigente da democracia poderemos construir um Brasil mais justo, livre e igualitário para as futuras gerações.
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