E, na dúvida, entre em contato com profissionais que dominam o conteúdo histórico
Por Wilson de Oliveira Neto, historiador

Faz algum tempo que escrevo para este jornal. Procuro ser constante em minhas publicações e, por meio delas, contribuir com a divulgação de história. Daí, o título desta coluna ser “A Historicidade das Coisas”.
Embora os meus textos sejam uma espécie de “pop-rock”, mais com a intenção de informar que formar, pois tenho horror ao polemismo decorrente de textos formativos, existem lugares acadêmicos e sociais dos quais escrevo, assim como todo mundo que publica algo sobre história possui os seus respectivos “lugares” (atenção: o uso desta palavra tem nada a ver com o conceito de “lugar de fala” veiculado pela filósofa Djamila Ribeiro).
“Absolutamente normal”
Campo de disputas – Como diria o meu amigo Valdir: “Normal, absolutamente normal”, uma vez em que memória, história e patrimônio histórico são campos de disputas entre os seus sujeitos e instituições.
Ou seja, por mais que um divulgador de história, que produz e publica reels em redes sociais, faça a lição de casa e forneça ao público o máximo de qualidade “técnica” em seus audiovisuais, ele sempre estará sujeito às limitações impostas pelos lugares acadêmico e social que ocupa.
Isso é algo que, há muito tempo, está claro para a filosofia da ciência, tal como é possível constatar nos escritos de Thomas Kuhn, em especial, na sua investigação sobre o dogma nas ciências, assim como essas limitações já foram exaustivamente trabalhadas pelos autores de teoria da história, a exemplo de um historiador das antigas chamado E. H. Carr, que afirmou em uma de suas conferências que, para compreender o que um historiador escreveu, deve-se conhecer o seu contexto.
Dogma
Contexto – Dogma e contexto são palavras importantes para quem escreve e/ou consome conteúdos de história, especialmente, aqueles direcionados para o público “geral”, em redes sociais. Principalmente, nas atuais circunstâncias, marcadas pelas disputas políticas, desinformação e um uso descuidado das ferramentas de IA, com destaque para aquelas usadas na geração de imagens “históricas”.
Mas, então, o que fazer? Para quem produz e publica conteúdos, é fazer a lição de casa, respeitando as boas regras ensinadas na graduação e pós-graduação sobre pesquisa, escrita e publicação em história, custe e o que custar.
Conteúdos produzidos
Fundamentos? – Já para o público consumidor, procure saber mais a respeito do material que você consome. Que é o seu produtor? Como que os conteúdos produzidos e publicados estão fundamentados? Há outros produtos que eu posso acessar e comparar? Importante!
Esteja atento aos truques de retórica usados em muitas produções de história, sejam elas escritas ou audiovisuais, como por exemplo, hipérboles que visam prender a atenção do público e intensificar o discurso proferido pelo autor, seja em um texto escrito ou vídeo.
E, na dúvida, entre em contato com profissionais que dominam o conteúdo histórico, sejam eles professores ou historiadores.
Wilson de Oliveira Neto é professor na Universidade da Região de Joinville (Univille) e coordenador do projeto “Divulga”; escreve quinzenalmente para a coluna “A Historicidade das Coisas”, do Jornal Edição Digital
WhatsApp – O grupo de WhatsApp do Jornal Edição Digital pode ser acessado aqui.


