O estoicismo parece autoajuda, mas é muito mais – é uma elevada filosofia
Por Mariano Soltys, filósofo e professor

O estoicismo é muito curioso, em especial de como se lidar com os problemas. Destes filósofos como Sêneca, Zenão, Epicteto e até o imperador Marco Aurélio. Fato é que as pessoas têm muitos problemas, perda de emprego, nota baixa na escola, briga no trânsito, bem como a perda de alguém que se admira. Tudo isso foi tratado pelos estoicos com soluções realistas e racionais, bem como muito sobre a amizade, que era muito valorada.
Expectativa
Diferencial – Não podemos decidir os problemas que temos na vida, não estamos no controle de tudo. O que não controlamos não podemos alterar. Assim é a vida. Ser despedido em um emprego, por exemplo, faz parte da vida profissional. Não se pode evitar certas coisas.
Logo, a expectativa é o diferencial. Uma vez que se está preparado para o pior, o que acontece sempre está dentro do que não pode afetar tanto. Assim se deve agir com ataraxia, ou com o que estoicos chamam de indiferença.
Amor líquido
Buzina – Também se falava muito para valorizar os amigos. O envelhecimento? Todos evitam, e hoje se usa toda a sorte de procedimentos estético. Para os estoicos o envelhecimento é algo bom, nos torna mais sábios
O fim de um relacionamento. Há algo mais óbvio na sociedade em que o amor é líquido, no dizer de sociólogo Zygmunt Bauman? Certamente um estoico pensaria o mesmo, uma vez que não estamos no controle de certas coisas.
A nota na escola também, é o resultado de algo que também faz parte da vida. O melhor seria preocupar-se com a recuperação, e lá tudo se resolve. O trânsito também, ele gera muita tensão. É um caos o trânsito no Brasil.
Pessoas são ceifadas como em uma guerra. Mas o melhor é não se preocupar, não entrar em conflito, ignorar as ofensas, a buzina. As pessoas erram, os problemas acontecem. Tudo muda quando lidamos com eles, com um espírito de não se estressar, ficando de boa.
Reflexão
Memento mori – Por fim, a perda de alguém importante. A morte faz parte da vida. Deste modo, se ensina o memento mori, frase que se encontra na entrada do cemitério. Ter uma reflexão sobre a morte, que um dia acontecerá.
Racionalizar as coisas ajuda muito, e esse é o aspecto da filosofia. Mesmo Sêneca, ao saber de seu aluno, Nero, entendia que um dia sua hora chegaria. Era inevitável o que aconteceria. O estoicismo parece autoajuda, mas é muito mais – é uma elevada filosofia.
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