No fim, a gente não é feito do que nos acontece, mas do que a gente permite habitar
Por Nicole Fernanda Pillati Pereira,
futura escritora

Faço de mim casa de sentimentos bons. Construo cada cômodo com calma: a sala é de acolhimento, onde a risada cabe inteira; a cozinha, de gratidão, onde o pão simples vira festa; o quarto, de descanso, onde a alma tira os sapatos e respira. Nas paredes, penduro memórias que aquecem. Nas janelas, deixo a luz entrar mesmo nos dias nublados.
Portão
Maldade – Aqui a má-fé não se cria. Ela pode rondar o portão, mas não encontra fechadura que ceda. A maldade bate e pergunta pelo endereço, mas quem mora aqui aprendeu outra língua: a da compaixão. E língua de compaixão não traduz veneno. Então ela vai embora, sem mobília, sem chave, sem história pra contar.
Coração
Lar – E casa, a gente sabe, é verbo que se conjuga todo dia. É varrer o que acumulou de tristeza, regar as plantas de esperança, abrir espaço na estante para o novo. É escolher, mesmo cansada, deixar a porta entreaberta só para o que edifica. Porque no fim, a gente não é feito do que nos acontece, mas do que a gente permite habitar.
Assim eu me habito: casa pequena, coração grande. Lar de quem chega cansada e encontra colo, de quem sai e leva um pouco de paz no bolso.
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