NICOLE PILLATI: SOBRE AMAR O NOSSO PRÓPRIO CHÃO

SANTA CATARINA

A gente entende que pertence não ao que é fácil, mas ao que é nosso por inteiro

Por Nicole Fernanda Pillati Pereira,
futura escritora

Amar o próprio chão aqui é aprender a conversar com o vento que desce gelado das copas dos pinheiros. O planalto respira fundo e a gente respira junto, com o peito cheio de ar limpo e de horizonte que não acaba.

Cerração
Silêncio – De manhã, a geada borda o capim e a cerração veste os campos de silêncio. Os troncos retos riscam o céu como se sustentassem a calma do mundo. O sol demora para aquecer, mas quando chega, doura as araucárias e conta, na luz, cada inverno que a gente venceu.

Bota
Lenha – O chão aqui é forrado de grimpa que estala sob a bota. Tem cheiro de pinhão na época certa e de lenha queimando quando a noite resolve apertar. A gente pisa e reconhece: aqui a terra não é só terra. É memória, é sustento, é raiz que não se vê, mas segura.

Serra
Frio – Amar este chão é aceitar o frio que corta e o silêncio que ensina. É saber que a beleza mora no contorno duro das serras e no verde escuro que nunca perde o rumo.

É ficar, porque longe dos pinheiros o peito sente falta da altura. E a gente entende que pertence não ao que é fácil, mas ao que é nosso por inteiro.

WhatsApp – O grupo de WhatsApp do Jornal Edição Digital pode ser acessado aqui.

What do you feel about this post?

0%
like

Like

0%
love

Love

0%
happy

Happy

0%
haha

Haha

0%
sad

Sad

0%
angry

Angry